No ano de 2004 foi comemorado o I Centenário da presença das Irmãs Missionárias Capuchinhas no Brasil e seria editada uma revista falando sobre as casas que foram fundadas por elas, para cuidar da educação, da saúde, em todas as regiões e para relembrar a sua obra no tempo. Como eu tinha sido aluna das Capuchinhas no colégio de Guaramiranga, uma pessoa que fora minha contemporânea no colégio me procurou e pediu para escrever alguma coisa sobre o nosso Ginásio Sagrado Coração de Jesus. Aceitei o encargo,o que escrevi foi publicado na revista, gostei do resultado e quero dividi-lo com vocês:
À espera da entrada do sacerdote que rezaria a missa, em meio a tantas pessoas, no entra e sai que precede o início de cerimônias, ali estava eu no ddia 11 de junho de 2001, na Capela da Casa Santa Rosa de Viterbo em Fortaleza, para participar da comemoração das Bodas de Ouro de vida religiosas de algumas irmãs, dentre elas a Irmã Paz.
Como ex-aluna das Irmãs Capuchinhas, fui avisada da realização da festa por uma das colegas daquela época. Interessara-me não somente em participar mas em reunir-me na ocasião com o maior numero possível de "meninas" que tinham, como eu, convivido com a Irmã Paz.
Finalmente a missa inicia. Ao meu lado, à frente, atrás, vejo rostos conhecidos: Virginia, Aila, Selma, Meíta, Valdiza, Marilac, Vilauva, Lucia, Elza, Fatima, Maiza, Helena Lessa, Heloisa. Rostos resgatados de um passado distante e que eu não via há muitos anos.
Muitos telefonemas foram feitos, muitos numeros foram procurados para localizar aquelas mulheres que ali se encontravam.
Entram, enfim, as religiosas. Vejo, então, a querida Irmã Paz! Transportei-me ao passado. Vi-me menina no velho Ginásio de Guaramiranga, onde passei alguns anos de adolescência. Eram muitas as meninas que vinham das mais diversas cidades do Ceará e de Estados vizinhos. Por muitos anos, durante os meses de aulas, o colégio era a nossa casa. Todas éramos irmãs. Dividíamos entre nós simpatias e antipatias. Sorrisos e lágrimas. Pedaços de rapadura e bombons. Ali nossas mentes se abriam para o conhecimento e para o saber viver. O caráter era trabalhado. Exercitávamos o valor da amizade, da simplicidade, da humildade, da prudência, da sinceridade, de assumir as coisas erradas que fazíamos e de aprender o respeito a Deus e ao proximo.
Orientadas pelas irmãs, que, sob a seriedade do habito franciscano nos pareciam tão velhas e adultas mas que, no entanto, eram, pelo menos algumas delas, quase tão adolescentes quanto nós, caminhávamos à luz da oração, da santa missa diária, apesar da preguiça que tínhamos de levantar às 5:30h n a fria Guaramiranga!
Tudo isso me passava pela mente enquanto iniciava a missa das Bodas de Ouro das religiosas. Não podia deixar de reconhecer a fortaleza daquelas mulheres que, tão jovens doavam suas vidas! Elas entregavam sua juventude para poder formar outras jovens e viviam a seriedade dos seus votos de pobreza, obediência e castidade.
E ali estávamos nós, pelo menos algumas de nós, num encontro festivo e saudoso, representando todas as outras. Já na maturidade, esposas, mães, avós, algumas viúvas, provadas pela vida, lembrando as que já tinham partido, chamadas por Deus. E ali constatávamos que muitas não conseguiram realizar os ideais de felicidade conversados nos recreios, sonhados na pressa de crescer... De sair para o mundo. Tudo o que queríamos era evadir do colégio. Ter alguns anos a mais...
Não tínhamos consciência do quanto éramos protegidas! Mas como diz o Livro de Isaías 55, 10-11: "Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não tornam sem ter regado a terra, sem a ter fecundado e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece com a palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido sua missão".
Realmente, nós, naquele tempo "estávamos na chuva" e, com certeza, nos molhamos na agua da vida. Os sofrimentos, as desilusões, as dificuldades, são o preço que pagamos por vivermos no mundo. Mas, com certeza, em meio às tristezas e lutas, sempre estará, fiel, a nos aquecer e iluminar a chama do "Sagrado coração de Jesus".
Então? Gostaram? Podem crer, eu derramei o coração nesse depoimento!
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