sexta-feira, 14 de maio de 2010

Uma doação insignificante

Recebi este texto na minha caixa postal e como sempre medito nas desigualdades do mundo, ele me tocou bastante. Tenho uma amiga, uma pedinte,que conheci na rua e que sempre ia à minha casa pedir comida, roupa, umas moedinhas, enfim,uma pessoa necessitada de tudo. Uma vez dei um resto de perfume que tinha em casa e quando ela se foi, a minha doméstica criticou, porque do alto do apartamento a viu, no ponto de onibus, se perfumando, achando que aquela mulher era vaidosa, que não merecia receber nada. Fiquei muito triste com isso, porque ela sendo quase tão carente quanto a outra não teve a sensibilidade de entender que todos gostamos do que é bom, seja comida, roupa, casa, qualquer coisa que seja; não usam porque não podem, não têm oportunidades. Quando você puder a judar uma pessoa a ter um mínimo que seja de uma coisa extra, não hesite, dê, proporcione a essa pessoa um pouco de satisfação. Isso tambem é caridade.
Não sou fã da doutrina espírita, mas não posso negar que esse texto está impregnado de uma profunda caridade cristã.

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Ela passa pelo conjunto residencial três vezes na semana. Quase todos a conhecem.

Faça frio ou faça sol, ela anda pelas ruas empurrando seu pesado carrinho, recolhendo papéis, latas, vidros. Tudo que possa ser vendido para reciclagem.

Nunca está zangada. Quando perguntamos se ela consegue sustentar a família, daquela forma, diz: Sim, graças a Deus.
Quando lhe indagamos a respeito dos filhos, ela nos informa que sua filha está casada, tem um bebê. Que eles têm dificuldades para suprir todas as necessidades da criança e, por isso, ela auxilia o casal.

Também diz que tem um menino de oito anos, que está na escola.

Já nos habituamos a guardar tudo separado, para lhe facilitar a tarefa: metal, vidro, papel.

Ela chega e vai recolhendo tudo e agradece. Agradece por lhe darmos nosso lixo.

Dia desses, resolvemos lhe oferecer algo mais. E lhe entregamos uma bandeja com quatro copos de iogurte. Nossas crianças já estão enjoadas de seu consumo.

Mudamos de marca, compramos com polpa, depois com pedacinhos de fruta, para variar.

O rosto da mulher se ilumina. Meu filho vai adorar isto, diz ela.

Dias depois nos conta da alegria do seu menino ao tomar um a cada dia. Como se fosse uma sobremesa, uma recompensa. Algo especial.

E nossos filhos cansados de se servirem sempre das mesmas coisas, desejando algo diferente. Porque vivem fartos.

Mais uns dias e, porque fosse feriado, o garoto acompanhou a mãe nas suas andanças.

Ao nos ver, no portão, foi apontando: "Foi aquela dona que deu prá gente o iogurte, mãe?"

E, ao sinal afirmativo, correu em nossa direção, agradecendo e dizendo como ficara feliz. Quatro dias de felicidade.

Tomei devagarinho, disse ele. Para sentir bem o gosto e não esquecer por muito tempo. Agradeço demais.

Um gesto tão simples. Algo tão pequeno. E fez tanta diferença. Quatro dias de felicidade para um menino que não passa fome, mas tem vontade de comer algo diferente.

Como nossos filhos que se levantam, saciados, da mesa e perguntam:

O que tem mais para comer?

Ou, em meio à tarde: Estou com fome. O que tem para comer nesta casa?

Mas eles não desejam pão com manteiga. Querem algo especial ao paladar.

Será que, olhando essas crianças que vivem em casebres quase a desabar, ou que acompanham os pais nas longas jornadas, catando lixo pelas ruas, pensamos que elas têm desejos especiais?

Vontade de comer chocolate, de tomar um sorvete, um hambúrguer, fritas, iogurte.

Afinal, o que apreciam os nossos filhos? Eles também.

É hora de pararmos de dar somente pão, sopa, para saciar a fome.

É hora de dar algo mais. Um capricho, mas que ilumina os olhos da infância.

Os filhos da pobreza têm sonhos, como os nossos filhos. Têm vontades, exatamente como os nossos.

Pensemos nisso e nos tornemos mais sensíveis. Podemos começar tendo em nosso carro, ou na bolsa, um chocolate, uma guloseima extra para oferecer a um deles, que encontremos pelas calçadas, pelas ruas.

E quando nos dispusermos atender as necessidades dos carentes sociais, quando pensarmos em cestas básicas, pensemos nas crianças.

E coloquemos algo mais: uma barra de chocolate, do especial de que gostamos ou nossos filhos apreciam.

Um suco que acabou de ser lançado, bolachas recheadas, de boa marca, enfim, tudo aquilo de que gostamos. Tudo aquilo que costumamos comprar para os nossos filhos.

Porque afinal a diferença entre aquelas crianças e as nossas é somente que não estão em nosso lar.

Pensemos nisso.


Redação Momento Espírita

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