quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PARIS

Por duas vezes em anos passados eu já havia estado em Paris. Mas ou não recordava ou não tinha prestado atenção no quanto essa cidade é linda! Chegamos de Londres, pelo Eurostar. ( A viagem de navio terminara). O desembarque foi meio confuso, pois o ônibus que nos esperava, pelo fato de não ter podido estacionar em frente à estação, ficou um pouco distante nos obrigando a carregar valises, sob um sol escaldante e ainda vestindo roupas de frio; para nós que vínhamos de um clima bem mais ameno, foi meio pesado. Mas chegando ao ônibus onde a guia já estava à nossa espera, tudo se normalizou. Durante o percurso até o hotel ela ia explicando e mostrando os lugares por onde passávamos. Mas foi à tardinha, depois de já acomodados, ter tomado um bom banho, almoçado, descansado, enfim, que saímos e pudemos realmente ver (ou rever) a cidade. Mesmo sendo outono, os dias eram ainda longos, e agora estávamos em dias livres, ou seja, fora do programa da excursão para poder decidir com quem e para onde ir.


O imenso espaço que se descortina aos olhos do visitante, dá a dimensão de como essa cidade foi projetada com visão de futuro. As enormes praças arborizadas, as largas avenidas, as pessoas que, ao sair do trabalho, aproveitam o sol antes que cheguem os meses frios, sentadas ou deitadas na grama verde e bem cuidada, a multidão de pessoas de todas as partes do mundo e mais a excitação de estar em Paris, fazem a gente se sentir como em uma festa. O Sena atravessando a cidade com suas barcas cheias de gente, os ônibus de dois andares sempre lotados de turistas, mostra a importância que tem esta cidade, a curiosidade que desperta, e a gente então, entende porque a chamam de Cidade Luz.

Os prédios lindos e bem conservados não demonstram que passaram por invasões, por guerras, e por que não dizer através do tempo, como, por exemplo, o Louvre que foi iniciado entre 1180 e 1223 sob o governo de Felipe ll Augusto. Da mesma época é a fundação da Universidade.


E assim outros tantos de enorme importância histórica que foram aparecendo sob dinastias que se sucediam, guerras políticas e religiosas que se travavam.

No entanto, a cidade conquistou realmente seu lugar na Historia a partir de 1789 com a Revolução Francesa, que assinalou o surgimento do mundo moderno.

Os anos de terror, de perda de vidas humanas, de danos irreparáveis às obras de arte foram esquecidos com a chegada dos novos, esplêndidos anos do Império, da ascensão de Napoleão Bonaparte (coroado em 1804) e da luxuosa corte com que ele se rodeou.

Entre 1804 e 1814 Paris se embelezava cada vez mais. Nesse período foi erguido o Arco do Triunfo, foi levantada a coluna Vendôme, o Louvre foi ampliado. Após a queda de outras monarquias (Carlos X e a de Luis Felipe Bourbon e Orléans), veio a Segunda Republica e Napoleão lll entregou ao barão Haussmann o projeto da reestruturação urbanística da cidade, período em que foi construído o Teatro Opéra, foram reestruturados também os grandes boulevards que encantam a quantos por lá passam.

Por volta de 1871 foi escrita ainda uma pagina triste na historia da cidade com La Comune, sangrenta revolução interna, onde muitos edifícios ricos de historia e de beleza foram perdidos no meio dos incêndios.

Depois disso, com o advento do novo século, Paris conheceu novos momentos de esplendor: as Exposições Universais e Internacionais, o nascimento de importantes movimentos artísticos, de pintura e de literatura.

Infelizmente com as duas grandes guerras de 1914 e 1939 a cidade sofreu bombardeios e ruínas: em 1940 caiu nas mãos do exército alemão, sendo liberada pelos Aliados em 1944 e a partir de então, cidade viva e livre, Paris conserva o seu lugar na historia da cultura da humanidade.


Na verdade a minha impressão pessoal de Paris é a de uma casa bem arrumada ou de uma moça bonita, mas não só bonita, no sentido como se entende de traços, mas chique, faceira, que faz a diferença. E continuamos passeando, aproveitando aqueles 3 dias com sede de ver, de descobrir, de admirar. A cada momento se descortinavam diante de nós os “ícones” da cidade: Notre-Dame, Saint Chapelle, Pont Neuf, Place des Victoires, Place Vendôme, Opéra, Louvre, Tour Eiffel, Sacrée Couer, Champs-Elysées, Arco do Triunfo, enfim, todas as coisas lindas repletas de historia, que transmitem, apesar do tempo, muita vida, muita dor passada e também felicidade, que contam historias de perseguições, de luxo, de fé, de trabalho, de persistência, enfim, historia de vida e passando por aqueles lugares, à luz do sol de final de setembro, me vinha à mente um trecho da linda valsa Sob o céu de Paris: ” é o mundo que acorda, chora, canta, sonha, ama, vive e grita feliz: Ó céu de Paris”!