sábado, 15 de janeiro de 2011

BELGICA (BRUGES)

Ainda em Paris, minha irmã que mora na Bélgica veio com o marido para encontrar-nos e a festa foi ainda maior, mas para os participantes da excursão era chegada a hora de retornar ao Brasil, entretanto meu marido e eu ficaríamos. Iríamos à Belgica com o casal para ficar com eles e os filhos dos dois durante uns três dias, depois iríamos à Itália para “lamber as crias”, ou seja, rever os dois filhos e cinco netos que moram lá.

No mesmo dia em que o grupo retornou ao Brasil, seguimos para a Belgica com o Eurostar. Em menos de duas horas estávamos em Bruxelas de onde tomamos o trem local para Overijse, simpática localidade nos arredores da capital, para ficarmos mais à vontade, em casa, matar as saudades e por em dia as novidades.

Como já estava combinado, reservamos um dia para visitar a linda cidadezinha de BRUGES que inicia sua historia ainda no Sec IX devido a uma invasão dos Normandos que foram os primeiros (indesejáveis) visitantes da região e que, vindo para saquear entraram, com suas embarcações no Zwin, um braço de mar que chegava até o interno do país, e aí aportaram e chamaram o lugar de “Bryghia” que na língua deles significa mais ou menos “ ponto de chegada” e que deu início à cidade que depois viria a se chamar Brugge , isto é, Bruges. Esta se tornou não apenas uma cidade, mas um dos portos mais importantes e um dos pontos comerciais mais freqüentados da Europa Setentrional.

Mas foi no sec XV em que Bruges mais floresceu, cresceu em influencia e poder, pois, como cidade residencial dos duques de Borgogna e ainda de muitos habitantes importantes como banqueiros, comerciantes, duques, nobres, transformou-se no curso do século, no maior centro cultural do norte dos Alpes.



Conta-se que durante a segunda Guerra Mundial Brugges quase por milagre não foi devastada completamente. Um oficial alemão recebeu ordens do alto comando para acabar com a cidade. Ele teria podido fazê-lo facilmente, pois os canhões estavam a uma distancia de somente 18 quilômetros da cidade e tinham poder de tiro para além de 25 quilômetros. O oficial, comandante Hopman recusou-se a seguir a ordem, (coisa incomum num oficial alemão), alegando que era uma loucura, que Bruges era a cidade mais bonita nas redondezas e, além disso, sua importância estratégica e militar era quase nula. Os superiores deram-lhe razão, mas não podemos negar que o oficial foi muito corajoso e Bruges, hoje, pode considera-se fortunada por ter havido um comandante alemão que a conhecia muito bem e tinha aprendido a amá-la. Também nós somos fortunados de poder ter ainda hoje uma cidade assim tão bela uma verdadeira pérola de arquitetura para poder admirar.

A parte considerada mais importante para o turista, pode ser visitada a pé. É uma cidade onde apesar do grande numero de turistas (três a quatro milhões por ano) a gente se sente à vontade. Não é à toa que veio a se tornar nos últimos anos o centro turístico mais importante da Belgica. Você sabia que os trens Eurostar que passam sob o canal entre Calais e Folkestone são “made in Bruges”? Portanto, não é somente uma cidade turística, mas também industrial.

As construções são lindas e lembram aquelas cidades construídas com lego. É realmente uma festa para os olhos. Estivemos em um café cujo proprietário construiu em miniatura uma cidade inteira com estradas, trens que funcionam, canais, iluminação elétrica, edifícios, enfim, lembra muito a própria cidade e isso se pode apreciar mediante a colocação de umas poucas moedas em um recipiente, quase uma ajuda para que ele possa continuar a fazer aquele trabalho tão minucioso!

Não me decepcionei em visitar aquele lugar tão bonito, tão cheio de poesia, apesar de saber que também lá existe a tristeza, a dor, o sofrimento, a morte. Exatamente como no resto do mundo. Entretanto, saí de lá como se tivesse passado um dia em um conto de fadas!


Voltamos para casa felizes com o passeio e com a companhia, pois minha irmã e meu cunhado nos acompanharam, mas já estava quase terminando o nosso passeio pela Belgica (Bruxellas já tínhamos visitado em outra ocasião) e já era hora de “arrumar as trouxas” e seguir viagem para a Itália.