Havíamos combinado que de Bruxellas a Milão iríamos de trem. Com o avião seria muitas vezes mais confortável e em pouco mais de uma hora chegaríamos. Com o trem teríamos doze horas de viagem, seria cansativo. Em termos de preço não haveria grande diferença. Mas como a viagem era durante o dia, teríamos a visão dos Alpes Suíços, a essa altura do ano, (final de setembro), já com bastante neve e com um visual de tirar o fôlego.
| um friozinho, fogo e castanhas é tudo de bom... |
Saímos de Bruxellas muito cedo, ainda estava escuro, era um domingo e minha irmã e meu cunhado nos levaram à Estação Central de Bruxellas, distante alguns quilômetros de Overijse onde eles moram. Abraços, despedidas, e lá vamos nós rumo à Itália. Nunca me canso de louvar a Deus pela sua bondade, pelo seu amor, pois ainda sentindo as saudades, querendo ter a minha irmãzinha comigo sem poder e já Ele colocava à minha frente uma outra perspectiva muito atraente: a de rever os filhos e os cinco netinhos, um menino e quatro meninas, muito amados e de quem depois de alguns meses sem encontrar, já estávamos com muitas saudades.
E assim enquanto conversávamos no trem, o panorama ia se descortinando diante de nós: cidadezinhas nos vales ou no alto das montanhas, rios correndo, animais nos pastos, neve no alto das montanhas, uma paisagem de cartão postal! Valeu a pena o cansaço.
A chegada a Milão foi à noite, já pelas 7 horas e aí estava um dos filhos a nos esperar. Ele mora a cerca de 70 quilômetros distante de Milão, na província de Bergamo, e ao chegarmos em casa a pequena Sofia já havia dormido mas o rapazinho, o Gianluca, driblou o sono e estava bravamente acordado esperando o Nonnino e a Ceceia. As outras, que moram a 25 km de distancia, só veríamos no dia seguinte.
| A turma reunida para um almoço em familia |
A partir daí, nossa viagem tomou um rumo mais doméstico, entre as casas dos dois “meninos”, entre a alegria de estarmos juntos, o carinho das crianças e o vai e vem, pra casa de um e do outro. A região, mesmo sendo muito bonita, com montanhas, planícies, lago, já é conhecida o suficiente, para não despertar mais tanta curiosidade.
| este é o jardim de um desses restaurantes familiares com vista para o lago. É lindo! |
Os passeios eram pelos arredores, momentos agradáveis às margens do lindo Lago d´Iseo, ou refeições em simpáticos restaurantes que se localizam em sítios e são conduzidos pelos proprietários . Isso se explica pelo fato de o governo italiano com a finalidade de manter as pessoas no campo, ter criado um estatuto especial para esses agricultores incentivando a abertura de restaurantes desde que conduzidos pela própria família e com produtos da fazenda. Esse sistema é chamado de “agriturismo” e os restaurantes servem pratos regionais , com receitas ressuscitadas dos cadernos de receitas das “nonnas”, e têm como funcionários os pais, filhos, noras, sobrinhos e outros familiares. Isso dá a certeza de um serviço excelente e comida de primeira. Esses locais são muito procurados porque remetem as pessoas a um ambiente de tranqüilidade, que dão uma noção de passado, um momento propício para o encontro com amigos e para um descanso nos finais de semana. Os “bed and breakfast” seguem a mesma linha.
| Giulia, Sofia Gaia procurando a gatinha embaixo de uma cama |
Uma dica: se você for à Italia, não deixe de procurar para almoçar um restaurante onde fora tenha escrito: Pranzo di Lavoro que você vai se sentir muito bem, vai ser bem servido, refeição farta e boa e pagar pouco, entre 10 e 12 euros. São restaurantes que servem os trabalhadores da região e a gente sempre sai muito contente por ter optado entrar. Mas cuidado porque o mesmo restaurante cobra mais do dobro se for para o jantar. O preço reduzido é somente para o horário de almoço.
Dias de descanso merecidos após a viagem bonita mas cansativa que tínhamos feito, aproveitar o tempo com as crianças, rever amigos que temos feito por ocasião de tantas outras viagens. Sentir-se reconhecido e cumprimentado na rua é uma sensação de estar em casa. Rever a família do meu marido: cunhados, sobrinhos, enfim, foram 25 dias de muita alegria, e de muito movimento, não mais de uma cidade para outra, mas dessa vez de uma casa para outra. São coisas que se a gente souber apreciar e agradecer fazem o encanto da vida.
| com as noras/filhas |
| esse mini-jardim é em cima da mesa (Bergamo) |