| não é fantástica a montanha? |
Devo dizer que o Osorno, desde que o vi, exerceu sobre mim uma influência quase mágica, pois durante os dias em que estivemos na região, meu olhar era constantemente atraído para aquela linda montanha cônica coberta de neve (muito semelhante ao famoso Monte Fuji) que de quase qualquer lugar onde estávamos podíamos ver. Ficou tão presente, que meu marido para brincar comigo passou a chamá-lo “Zé”. Para dizer que era como um velho conhecido.
Mas voltemos à narrativa.
Saímos de Santiago às 20:00h depois de um dia quente e cansativo. Nossa esperança era que viajaríamos no “bus salon cama” nome mais chic do ônibus leito que, pelo que sabíamos era confortabilíssimo, que veríamos paisagens belíssimas, etc. e pelas 22:00h faria uma parada num restaurante agradável onde os passageiros jantariam. Pela novidade do fato aceitamos a sugestão renunciando a uma viagem de avião que teria durado apenas uma hora ou pouco mais. Realmente o ônibus era muito confortável, nossas cadeiras ficavam na parte superior, no segundo andar e em conforto eu compararia à classe executiva dos aviões comerciais. Poltrona-cama macia, cobertor, silêncio, passageiros muito educados, fiquei, de fato, bem impressionada com o nível de educação dos nossos companheiros de cabine. Aliás, o povo chileno é bem educado.
Mas as horas passando, 9:30h, 10:00h e nada da esperada paradinha para o jantar, somente depois que perguntamos ao encarregado da assistência aos passageiros é que viemos, a saber, que a viagem era direta, sem paradas, ou seja, não haveria jantar. Só aí entendi porque antes vira as pessoas tirando das sacolas seus pacotinhos com sanduíches uns, biscoitos outros, mas é assim mesmo, quem não sabe é como quem não vê.
E agora? Estávamos todos com fome e tivemos de nos conformar em dividir 2 barras de chocolate entre 8 pessoas, incluindo as duas crianças para enfrentar as outras dez horas de viagem. Pois é isso, depois do chocolate, água e dormir! E mais, durante a noite quem via as “lindas paisagens”? Ao amanhecer, uma caixinha com um biscoitão e uma garrafinha de suco, uma saladinha e pronto! Chegamos em Puerto Varas às 8:30 da manhã. Gostaria de encerrar aqui este parágrafo, mas preciso contar que ao chegar ao Cabañas do Lago, o hotel em que ficaríamos hospedados, nossos quartos ainda não estavam livres, só poderíamos entrar após o almoço. O restaurante, entretanto, estava liberado para o café da manhã. Pelo menos isso.
| olha a igreja como é linda!! |
| um dos recantos de Puerto Varas. Rosas à beira do lago |
A ceia da véspera de Natal foi no próprio hotel e depois fomos todos ao nosso apartamento para fazermos uma oração e procedermos à troca de presentes que havíamos previamente preparado. As crianças curtiram muito, foi animado de verdade. No dia seguinte fomos à Missa na Catedral da cidade que é linda, toda feita de uma madeira chamada alerce, (da qual atualmente está proibido o uso, pois quase foi extinta), parece aqueles edifícios dos filmes de Walt Disney, pintada de branco e vermelho.
| no barco para ir ver os pinguins |
O barco que nos levou para fazermos o giro que nos permitiria ver os pingüins é um capítulo à parte. O barco com motor de popa muito potente “pulava” como um potro desgovernado, todos nós portávamos coletes salva vidas e todos também estávamos apavorados. Os homens, com certeza, não vão admitir. Mas eu estava, sim. O vento era forte e frio. Na verdade, os pingüins não eram muitos, mas foi legal, pitoresco e saber que estávamos no Oceano Pacífico deu mais emoção ao passeio.
No dia seguinte seria a esperada travessia dos lagos e não decepcionou. Saímos de ônibus juntamente com muitos outros turistas que estavam nos vários hotéis da cidade, rumo ao Puerto de Petrohué, entramos no lindo parque Vicente Perez Rosales, vimos os saltos de Petrohué cujas águas que têm uma cor inacreditável, (verde esmeralda) são oriundas do degelo do vulcão Osorno (o Zé) e de tão transparentes permitem ver as lavas vulcânicas. O guia explicava que naquela região chove durante cerca de duzentos dias por ano, não é de admirar, então, uma vegetação assim exuberante. Disse-nos ainda que o terremoto de 1960 que durou 11 longos minutos modificou a geografia dos locais atingidos.
| olha aí o pessoal que preferiu o caiaque |
Em Peulla tivemos o passeio com um caminhão 4x4 tipo de guerra e foi lindo, ele atravessava o rio formado pelo degelo do vulcão, levantando água, passando sobre pedras, e podíamos ver o helicóptero sobrevoando o rio e as montanhas com as pessoas que haviam feito essa opção de passeio, mais atrás os que haviam escolhido navegar com os caiaques, enfim, havia opção para todos os gostos.
Depois vimos os animais nos cercados, lhamas, cervos, alpacas, ovelhas, cabras, porcos todos criados na planície rodeada de montanhas, com muito pasto, muita água e pensei que até animal precisa de sorte. Retornamos ao hotel com o coração preenchido por tanta beleza.
| imagine o perfume... |
E mais uma coisa: da cidade podem ser vistos quatro vulcões: Osorno, Calbuco, Pontiagudo e Tronador. Prá quem na vida nunca vira um vulcão, já era um exagero!
Mas era hora de voltar e, após o almoço já iríamos diretamente ao pequeno, limpo e arrumado aeroporto de Puerto Montt para voltarmos a Santiago, ao hotel, e no dia seguinte, logo pela manhã novamente aeroporto, dessa vez o internacional, para voltar a São Paulo e tomar o rumo de casa. Era hora de cair na real.
No entanto, no pequeno espaço de tempo entre Puerto Monte e Santiago, eu olhava da janela do avião a majestosa Cordilheira dos Andes e apreciando aquelas lindas e altas montanhas, por alguns momentos ainda pude ver e saudar o meu amigo Zé.
| em Peulla, entre agua e montanhas |