Ao chegarmos da viagem que fizemos aos países do Baltico, ainda com as valises por desfazer, nossa filha disse que ela e o marido tinham um presente de Natal para nos oferecer (estávamos em finais de outubro), e o presente seria uma viagem ao Chile na companhia deles com data já fixada para meados de dezembro. Tomei um susto. Por dois motivos: primeiro, uma viagem assim tão “pertinho” da outra não era coisa que fizesse parte dos meus planos; segundo porque o Chile sempre imprimiu em mim uma espécie de receio, coisa antiga, ainda dos meus tempos de estudante quando lia nos livros de geografia que o país por sua intensa atividade sísmica e pelo grande numero de vulcões existentes em seu território fazia parte do chamado “Círculo de fogo do Pacífico.” Esta expressão nunca me saiu da mente, era muito forte. Não seria, portanto, um lugar que eu escolheria para fazer turismo. Quando o Bruno, nosso netinho, veio me dizer, eufórico, que um dos hotéis nos quais nos hospedaríamos ficava bem de frente para dois vulcões, ai, meu Deus, aí completou o “circulo de fogo” da minha mente.
| A arvore de Natal do hotel |
“Mas calma, eu me dizia. Todos os dias milhares de turistas vão ao Chile, gente do Brasil, pessoas conhecidas e amigos nossos e voltam encantados com o país, contando maravilhas”, e o meu outro lado medroso replicava: “é, mas em fevereiro mesmo houve um terremoto grande”. O fato é que a companhia que teríamos de filhos e netos, a alegria deles, a ansiedade em preparar a viagem, me contagiaram (meu marido já estava “contagiado” desde o principio), e por que não dizer, o nome que a agencia de viagens deu ao “pacote”: Travessia dos Lagos Andinos, mais bonito e romântico, impossível, aí não tinha mais medo que me impedisse de ir.
| piscina do hotel mostrando uma pequena área do jardim |
Achei lindo o que se lê na apresentação do livro que é vendido aos turistas, aquele que quase todos compram e acho que vale a pena transcrever: “A geografia do Chile é tão singular que parece fecundada pela fantasia e o sonho de um Criador que se deixou levar pelo mais exaltado delírio como pela mais harmoniosa serenidade. A beleza do Chile é tão variada que tudo cabe nela. Essa terra é tudo, a mais longa, a mais estreita, a mais longínqua, e em tantos sentidos, a mais prodigiosa do mundo. Se apresenta no mapa como uma travessura cartográfica traçada por um finíssimo pincel que prende a Cordilheira dos Andes e a debruça quase mais sobre o mar que à sua frente.”
| Vista da cidade |
Não há como não ver o Chile como um país de “primeiro mundo”, contradizendo àqueles que chamam essa parte do hemisfério Sul de America “latrina”.
| Vista da cidade |
Não entendo de política, ou economia ou qualquer outra coisa que me qualifique para que dê uma opinião abalizada sobre um país, mas vejo jornais, escuto noticiários, assisto a programas de televisão e tenho olhos para ver, cabeça para pensar e sei observar para tirar a conclusão de que esse país tem enormes riquezas, que o mar é prodigo e tem projetado o nome do país pelo mundo afora com a indústria pesqueira altamente desenvolvida, que a riqueza geológica tem sido fator de enorme desenvolvimento com a exploração de minas, que na parte central do país o clima de tipo mediterrâneo faz do país um dos maiores exportadores de frutas atendendo os países do hemisfério Norte durante os meses de inverno com uvas, nectarinas, maçãs, peras, kiwis, cerejas, pêssegos e ao lado disso a produção de vinho que vem sempre mais ganhando espaço e competindo com as grandes casas vinícolas européias. A indústria do turismo, em franco desenvolvimento, é fator de riqueza para qualquer país, especialmente num mundo onde os transportes, principalmente os aéreos, têm se desenvolvido muito, barateando os custos e possibilitando às pessoas de médio poder aquisitivo, viajarem em férias, em resumo, fazerem turismo.
| Cerro Santa Lucia |
O fecho para tudo isso é uma política séria, comprometida com a população. Sente-se a satisfação do povo com os seus governantes. Conversando com o motorista da Van que estava à nossa disposição ele me dizia que o povo está realmente satisfeito com o atual presidente, porque ele está dando continuação ao trabalho do governo anterior que tinha sido ótimo. Disse-nos ainda que eles, os motoristas das vans que conduzem os turistas têm à disposição cursos proporcionados pelo governo que constam de conhecimentos sobre a historia, geografia, política, economia, produção agrícola, minas, enfim, um grande numero de informações atualizadas para que eles se capacitem e os os turistas conheçam um pouco do país que estão visitando.
A saída do vôo de São Paulo para Santiago atrasou e ao invés de chegarmos às 22h como previsto chegamos já por volta da meia noite e fomos de taxi para o lindo Grand Hyatt Hotel que tinha logo no pátio de entrada uma imensa árvore de Natal cujo topo chegava à altura do 5º andar. Uma maravilha! Hotel chic!!! Os jardins belíssimos são dignos de um Burle Max! Quarto grande, cama confortável, uma beleza para quem saíra de casa às 8 da manhã. Depois de um sono reparador e um café da manhã farto e saudável, encontramos na recepção o Marcelo que ficaria conosco durante nossa estada em Santiago. Pessoa simpática e agradável. Embarcamos na van que já estava a postos e saímos à descoberta de Santiago.
| Centro da cidade - Catedral |
Pudemos observar como a cidade é desenvolvida, bonita, com largas avenidas, parques fantásticos, enormes e muitos, encontram-se muitos parques pela cidade. Eu pensava no valor da água, alias, já tinha visto isso noutros lugares onde estive, a presença da água em quantidade, muda completamente o visual de uma cidade. As árvores bem desenvolvidas, o verde espalhado por toda parte, flores em abundancia e, é claro, uma administração que se preocupa com a limpeza e a manutenção das esculturas, dos prédios públicos, dos jardins, de tudo o que compõe a beleza de uma cidade.
| Marcas do terremoto de fevereiro |
Fomos a uma colina que é ponto turístico, chamada Cerro Santa Lucia, muito bonita e agradável. Por onde se passa há sempre alguma estátua, prédio ou avenida que relembra o nome do fundador da cidade, Pedro de Valdívia. Por acaso eu havia lido recentemente um romance de Isabel Allende, “Inès dell´anima mia”, que falava da conquista do Chile pelos espanhois e cujo protagonista era exatamente Pedro de Valdívia. Recordar o que havia lido, pensar no que era a capital na época da fundação e observar o que agora estava diante de mim, foi realmente gratificante.
| Palacio La Moneda |
Visitamos o zoológico num dia de calor intenso, mas para as crianças foi maravilhoso, ver os animais é sempre um ponto de atração. Visitamos também o Convento de São Francisco, vizinho à igreja que tem uma imagem da Virgem Maria trazida da Espanha. Por quem? Por ele, sim, Pedro de Valdivia.
| Bruno e Letizia tentando medir a arvore |
| No calorão um sorvete vai bem! |
Na próxima publicação falarei sobre as outras cidades que visitamos, além de Santiago: Valparaiso, Viña Del Mar, indo em seguida para a distante Puerto Varas, linda cidade de colonização alemã com uma arquitetura que remete às cidadezinhas da Europa, Puerto Montt, Frutillar, Puerto Octay, Chiloé, fomos ver as Pinguiñeras de Puiñuhill, Isla Grande, as corredeiras de Petrohué, Peulla, enfim há ainda muitas coisas bonitas para contar. Até a próxima.