Muitas vezes passamos por periodos "escuros" na nossa vida. São tristezas, mágoas, desejos que não podemos realizar, rancor de alguém que nos feriu, enfim, tantas coisas que fazem com que nossa vida perca o brilho, a claridade. E isso nos deixa caídos.
Grande parte das vezes depende de nós fazer com que nos volte a alegria perdida.
Não dar aos acontecimentos um valor que muitas vezes eles, de fato, nem têm, perdoar um mal recebido, uma grosseria, uma palavra maldosa, aprofundar um pouco nossa vida espiritual que às vezes é tão superficial, retribuir um mal com um bem, ajudar a uma pessoa que precisa de nós, ser tolerantes, pacientes,são atitudes que podem fazer-nos encontrar dentro de nós mesmos aquele brilho que foi perdido e isso faz toda a diferença. Tentemos buscar a felicidade, pois o ser humano foi criado para ser feliz. Ele proprio é que, através do orgulho, da soberba, perde esse dom precioso.
Que Deus nos assista e nos dê forças nessa busca incessante de felicidade que todos empreendemos, sem percebermos que é Ele próprio a felicidade, e que está sempre ao nosso alcance. Busquemos e encontremos luz para anossa vida, assim poderemos ser "sal da terra e luz do mundo".
Foi muito feliz a nossa escritora e poetisa Rachel de Queiroz com o seu belíssimo " Telha de Vidro":
Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...
A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia...
A lua branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrelinha audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

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